TAZ
“A famĂlia nuclear, com suas consequentes “dores edipianas”, parece ter sido uma invenção neolĂtica, uma resposta `a revolução agrĂcola com sua escasez e hierarquia impostas. O modelo paleolĂtico Ă© mais primário e mais radical >> o bando. O tĂpico bando nĂ´made ou semi-nĂ´made de caçadores/ coletores …(…)… se a famĂlia nuclear Ă© gerada pela escasez (o que resulta a avareza) , o bando Ă© gerado pela abundância (e produz prodigalidade). A famĂlia Ă© fechada, geneticamente, pela posse masculina sobre as mulheres e crianças, pela totalidade hierárquica da sociedade agrĂcola/industrial. Por outro lado, o bando Ă© aberto – nĂŁo para todos, Ă© claro, mas para um grupo que divide afinidades, os iniciados que juram sobre um laço de amor . O bando nĂŁo pertence a uma hierarquia maior, ele Ă© parte de um padrĂŁo horizontal de costumes … Muitas forças estĂŁo trabalhando – de forma invisĂvel – para dissolver a famĂlia nuclear e resgatar o bando …(…)… rupturas nas estruturas de trabalho refletem a “estabilidade” estilhaçada da unidade lar e da unidade famĂlia…hoje em dia o bando de alguĂ©m inclui amigos, ex-esposos e ex-amantes, pessoas conhecidas em diferentes empregos e encontros, grupos de afinidade, redes de discussĂŁo [e atĂ© parentes]… o bando Ă© a estratĂ©gia mais arcaica e a mais pĂłs-industrial TAZ – zona autĂ´noma temporária, Hakim BEY, coleção baderna, capĂtulo 3: a psicopatologia da vida cotidiana