Desemprego Criador
Há cinqüenta anos, nove de cada dez palavras que um homem civilizado ouvia eram-lhe transmitidas como a um indiv íduo. Somente uma em dez lhe chegava como elemento indiferenciado de uma multidão — na sala de aula, na igreja, em reuniões ou espetáculo s. As palavras eram então como cartas seladas, escritas a mão, bem diferentes da escória que hoje contamina nosso correio. Atualmente são poucas as palavras que tentam chamar a atenção de uma pessoa. Com regularidade de relógio, assaltam nossa sensibilidade as imagens, idéias, sentimentos e opiniões empacotadas e entregues através dos meios de comunicação, como artigos padronizados. Duas coisas se tornaram evidentes: 1) O que acontece com o idioma se tornou paradigmático para uma ampla gama de relações entre necessidade e satisfação; 2) Estes são, já, fenômenos univer sa is, e niv elam o professor de Nova Iorque, o membro da comuna chinesa, o estudante de banto e o sargento brasileiro. Neste apêndice a meu ensaio sobre a convivencialidade, pretendo fazer três coisas: a) Descrever o caráter de uma sociedade de mercado-de-bens intensivo, na qual a multiplicidade, especialização e volume das mercadorias destróem o
ambiente propício à criação de valores de uso; b) Insistir no papel oculto que as profissões numa sociedade desse tipo desempenham ao modelar suas necessidades; c) Propor algumas estratégias para romper o poder profissional que perpetua esta dependência do mercado.
Indrodução do livro ‘Direito ao Desemprego Criador’ por Ivan iL Lich. Baixe o PDF do livro completo aqui